terça-feira, 27 de novembro de 2007

Nada do que foi será...


O diabo mora mais no passado do que em qualquer presente!

Nada pode nos separar do amor de Deus, mas o passado tem o poder de não nos deixar experimentar o amor de Deus hoje.

Culpa, saudade, irresoluções, são terríveis. Nos castram.

Não conheço absolutamente nenhuma pessoa que não tenha algo em seu passado recente ou não, do qual não se envergonhe ou se arrependa.

Todos tem algo em seu passado do que se envergonhar!

A lista que Paulo faz em Romanos 8 acerca das coisas e dimensões que não nos podem separar do “amor de Deus que está em Cristo Jesus” tudo é mencionado:

O presente, o porvir, as alturas, as profundidades, os poderes e até mesmo qualquer outra criatura...

No entanto o passado não é incluído na lista.

Lembranças nos fazem bem ou mal, no entanto o “bom passado” não nos persegue, apenas nos move adiante, mas o “mal passado” é o diabo pra esperança e pra vida, é o poder que nos tenta fixar em suas dores, culpas, vergonhas, abusos, magoas e medos, e é dele que a maioria de nós se faz servo ou escravo.

As culpas, as fobias, os traumas e as autopunições alimentam-se do passado.

80% de nossa energia psíquica é gasta com ele, o passado.


Paulo não fala do passado porque sabia que ninguém possui o passado, o passado é quem nos possui.

O salmo 139 também nos diz que as distâncias, a solidão, o abismo e até os céus não podem nos afastar do amor de Deus. Mas outra vez o passado não é incluído.


A razão é a mesma: o passado não pode nos separar do amor de Deus, mas pode nos separar da experiência do amor de Deus!

To escrevendo isso aqui hoje porque essa semana meu passado “apareceu” pra me visitar.
Uma enxurrada de memórias, nomes, rostos e situações que vivi.

Sinto como se tivesse vivido mais de uma vida.

Lembrei-me de que nesse passado eu havia me dedicado a uma esperança firme, sonhado alcançar horizontes impossíveis, beliscado as estrelas com meu idealismo. Foi um passado bom.

Mas fui gradativamente murchando com a canina politicagem igrejeira, fui me revoltando com eleições de pura politicagem, conferencias de objetivo financeiro deslavado, cultos missionários onde moças e rapazes eram desafiados a gastarem suas vidas em terras distantes, (fui um desses) enquanto as lideranças permaneciam nababescamente encasteladas em seus cargos.


E quanto mais lia sobre Cristo, mais perdia a gana, o gás na corrida eclesiástica.

Depois me lembrei dos erros que cometi, e foram muitos.


Envergonhe-me de minhas cretinices. O meu mau passado me atormenta.

O problema é que mesmo quando Deus diz que o passado está perdoado, ainda assim, a maioria não se perdoa por ter vivido, ter errado, ter se enganado. E por quê?


É que a maioria gostaria de ter vivido, acertado sempre e tido bom êxito em tudo... e eu não sou diferente.

Quando meu mau passado, onde fui o algoz o verdugo, me atormenta, sinto que meu passado cresce e meu futuro encolhe.



Concluo assim algumas coisas.


Sobre o passado onde fui vitimado, entendo que pra mim chegou a hora de perdoar o mundo, a vida o passado, a história e todos seu agentes.

Não quero permitir que nenhum trauma que tenha vivido determine como será minha existência.


Se conseguir isso a vida vai me forçar a viver no dia chamado “hoje”.
Do meu bom passado, quero guardar com carinho as memórias, situações que vivi e pessoas amadas com as quais compartilhei minha vida um dia.

Quanto ao mau passado, não quero brincar de esconde-esconde com ele, é dele que procedem os demônios que me atormentam hoje.


Assim, uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam, prossigo para as que adiante de mim estão... A nova criatura não tem passado!


As coisas antigas já passaram, mesmo as velharias do dia de ontem, 24 horas antes de eu haver escrito esse texto.


O “alvo” não é o que passou, mas o que está por vir.

Dos teus pecados não me lembro mais – Diz o Senhor. O único que sabe não apenas perdoar, mas também esquecer pra sempre!